Acordei numa manhã em novembro de 2004, e sai pra trabalhar como sempre fazia, era uma manhã normal e eu precisava receber de uns anunciantes para pagar uma gráfica e pegar o meu jornal semanário que eu tocava no interior de São Paulo.

Era um trabalho duro, não fazia dinheiro, e se não fosse por meus Pais eu não teria onde morar ou como me sustentar... Mas eu amava fazer isso pois eu sempre trazia informações tentando melhorar a comunidade, combatendo corrupção, problemas nos bairros, etc, tinha também um bom lado social e vários eventos positivos... bom isso foi em 2004 e o Jornal se chamava “Realidade”

E uma das razões que eu estou dizendo isso e’ porque foi num dia como este que o projeto de deixar o Brasil realmente tomou corpo. Eu estava indo de comercio em comercio tentando receber anúncios como sempre fazia nas sextas-feiras, alguns comércios mandavam ‘passar mais tarde’ porque não tinham o dinheiro pra pagar, e eu me virava e continuava, eram cerca de 30 anunciantes no Jornal.

Depois de visitar uma loja que tinha vários meses de anúncios atrasados, um colega saiu de tal loja e me disse que o comerciante estava mentindo, pois tinha acabado de dar-lhe muito mais do que o que me devia para comprar ingredientes para um churrasco mais tarde... Isso me entristeceu muito, e pra piorar o FDP nem me convidou mais tarde...

Meu amigo, disse o seguinte: Você já pensou em ir embora daqui, pois isso não e nada justo, esse Brasil não funciona, se topar eu vou embora com você, eu estou de saco cheio desta sacanagem que vejo em todo lugar...
Foi só uma reunião na rua, mas a força da realidade naquele momento me fez começar e continuar com todo o processo de imigração, e eventualmente fazer uma viagem para a Inglaterra.

Este é um artigo que daria pra elaborar muito em várias coisas que aprendi daquele instante até mesmo dias antes da minha partida, onde em menos de 3 meses acabei viajando sozinho com R$800 no bolso e sem a menor ideia do que viria pela frente...

Mas eu acho que o pertinente nesta parte e que todos nós temos a capacidade de ser inspiradores; para trazer algo ao mundo ou mudarmos nossa situação.


Temos vírus, política, clima e outras questões malucas. E todas essas atividades do dia a dia, como pagar as contas e lavar louça. E esquecemos que somos fontes de inspiração, que se entrarmos no mundo de alguém e dermos a eles apenas aquele empurrãozinho de inspiração, nunca saberemos como isso vai acabar.

Nunca pensei que seguir cobrando anúncios e parando pra pensar como eu estava sendo ingênuo acabaria me levando a Austrália, mas havia este amigo e ele me inspirou a me mudar do Brasil e já faz mais de 10 anos que vim para cá.

Muitas vezes não temos que fazer muito para inspirar as pessoas. Eu vejo o meu irmão postando no Instagram e toda vez que ele faz isso, alguém se inspira a viajar para Jeri. (https://www.instagram.com/vemprajeri/ #vemprajeri)

Às vezes você nem precisa dar um tapinha nas costas de alguém. Não precisa dizer nada. Você só tem que ser você mesmo.

E se você vai ser uma pessoa mal-humorada, bem, continue a ser uma pessoa mal-humorada porque mesmo pessoas mal-humoradas podem inspirar. Não vai precisar de esforço nenhum.

Você só tem que estar lá, aparecer e escutar. E às vezes isso só, já é inspiração o suficiente.

Como você pode inspirar alguém hoje?